3 de dezembro de 2017

Ora-pro-nóbis!! Tem floração rápida, mas muito frequentada por meliponas

Usada como cerca viva, ornamentação e alimento, a hortaliça se desenvolve em vários tipos de solo e é pouco explorada comercialmente

POR JOÃO MATHIAS | CONSULTORES NUNO R. MADEIRA E GEORGETON S. R. SILVEIRA*

Onde se planta, nasce. Quando cresce, serve de proteção e alimento. Repleta de flores, ainda deixa o ambiente mais bonito. Por meio da hortaliça ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata), a natureza oferece múltiplos benefícios ao ser humano, o que seria motivo suficiente para a escolha de seu nome popular. Mas, conta-se que assim foi batizada pelo costume de ser colhida no quintal de uma igreja, para ser preparada para o almoço, quando o padre iniciava a reza final da missa da manhã.

"Rogai por nós" em português, ora-pro-nóbis é uma frase em latim nem sempre facilmente assimilada. Por isso, pode ser comum encontrar derivações dela, sendo por vezes chamada lobrobó ou orabrobó por agricultores de Minas Gerais, onde a planta é muito difundida na culinária local. Originária do continente americano, encontram-se variedades nativas dessa hortaliça perene, rústica e resistente à seca da Flórida, nos Estados Unidos, à região sudeste do Brasil. De fácil manejo e adaptação a diferentes climas e tipos de solo, produtiva e nutritiva, a ora-pro-nóbis é uma boa alternativa para produtores iniciantes no cultivo de hortaliças.
Ela pertence à família das cactáceas. Na idade adulta, sua estrutura em forma de arbusto torna-se uma excelente cerca viva, tanto para ser usada como quebra-vento quanto como barreira contra predadores. A existência de espinhos pontiagudos nos ramos inibe o avanço de invasores.
Perfumadas, pequenas, brancas com miolo alaranjado e ricas em pólen e néctar, as flores brotam na ora-pro-nóbis de janeiro a abril. De junho a julho, ocorre a produção de frutos em bagas amarelas e redondas. A generosa e bela floração é um ornamento ao ambiente, ideal para decoração natural de propriedades rurais, como chácaras, sítios e fazendas. A ora-pro-nóbis também pode ser plantada em quintais e jardins de residências. As folhas são a parte comestível da planta. Secas e moídas, elas são usadas em diferentes receitas, especialmente em sopas, omeletes, tortas e refogados. Muita gente prefere consumir as folhas cruas em saladas, acompanhando o prato principal. Outros as usam como mistura para enriquecer farinha, massas e pães em geral. Galinha caipira com ora-pro-nóbis é prato tradicional da culinária mineira. É servido cotidianamente nas cidades históricas do estado, como Diamantina, Tiradentes, São João Del Rey e Sabará, onde anualmente há um festival da hortaliça.
In natura ou misturada na ração, animais também aproveitam os benefícios das folhas da ora-pro-nóbis. Elas estão entre as que possuem maior teor de proteína, com algumas variedades chegando a mais de 25% da matéria seca. Na medicina popular, elas são indicadas para aliviar processos inflamatórios e na recuperação da pele em casos de queimadura.
RAIO-X
>>> SOLO: 
qualquer tipo
>>> CLIMA: tropical e subtropical
>>> ÁREA MÍNIMA: pode ser plantada em jardins e quintais
>>> COLHEITA: a partir de 3 meses após o plantio
>>> CUSTO: órgãos de extensão rural do município podem fornecer estacas
MÃOS À OBRA
>>> INÍCIO 
A variedade mais indicada para cultivo com fins comerciais é a que produz flores brancas. Elas podem ser fornecidas por órgãos de extensão rural ou em feiras de produtores.
>>> PLANTIO Sua rusticidade permite que seja cultivada em diversos tipos de solo, inclusive não exige que eles sejam férteis. A ora-pro-nóbis também se desenvolve em ambientes com incidência de sol ou meia--sombra. Inicie o plantio no começo do período das chuvas. A hortaliça é resistente à seca, mas o acesso à água nessa fase do cultivo estimula o crescimento dos ramos.
>>> PROPAGAÇÃO A ora-pro-nóbis é propagada por meio de estacas. Para conseguir melhor pegamento das mudas, use a região localizada entre as partes mais tenras e as mais lenhosas da haste. Corte cada estaca com 20 centímetros de comprimento e enterre um terço dele em substrato composto por uma parte de terra de subsolo e outra de esterco curtido. Após o enraizamento, transplante as mudas para o local definitivo.
>>> ESPAÇAMENTO Varia de acordo com a finalidade do cultivo. A ora-
-pro-nóbis pode ser usada como cerca viva, ornamentação e para consumo das folhas. Se a prioridade for o alimento, pode-se adensar o espaçamento, deixando de 1 a 1,30 metro entre fileiras e de 40 a 60 centímetros entre plantas. Mas as folhas podem ser consumidas em qualquer caso, mesmo se a destinação tiver fins ornamentais ou a construção de cerca viva.
>>> CUIDADOS Embora seja pouco exigente em adubações, mantenha bom nível de matéria orgânica no solo para um pleno desenvolvimento das plantas e boa produção de folhas. Faça manutenção a cada dois meses e execute podas dos ramos a cada 75 a 90 dias na estação chuvosa e a cada 90 a 100 dias na estação seca, quando a planta deve ser irrigada.
>>> PRODUÇÃO A partir de três meses após o plantio, pode ser iniciada a colheita das folhas da ora-pro--nóbis - após a poda dos galhos. As folhas devem apresentar de 7 a 10 centímetros de comprimento. Coloque luvas para a hora da coleta, a fim de evitar ferimentos pelos espinhos. Em geral, cada corte rende entre 2.500 e 5.000 quilos de folhas por hectare, variação que ocorre de acordo com a condução e a época de desenvolvimento da cultura.
*Nuno R. Madeira é pesquisador da Embrapa Hortaliças, BR-060, Km 09, Caixa Postal 218, CEP 70359-970, Brasília, DF, tel. (61) 3385-9000, sac@cnph.embrapa.br; e Georgeton S. R. Silveira é extensionista da Emater-MG (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais), Rua Raja Gabaglia, 1626, Gutierrez, CEP 30441-194, Belo Horizonte, MG, tel. (31) 3349-8000, portal@emater.mg.gov.br
Onde adquirir mudas: órgãos de extensão rural do município ou feiras de produtores podem fornecer estacas
Mais informações: o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), a Emater-MG e a Embrapa Hortaliças estão lançando o Manual de hortaliças não convencionais; informações sobre a edição podem ser obtidas na Emater-MG, portal@emater.mg.gov.br ou pelo telefone (31) 3349-8
Créditos: http://revistagloborural.globo.com  (02 de Dezembro de 2013 | atualizado em 03/12/2013)

6 de novembro de 2017

GOROROBA (alimentação para meliponas)

Há varias maneiras de alimentar as abelhas nativas

Uma delas é a GOROROBA


Uma das vantagens deste método  seria o não afogamento das abelhas e a adição de pólen sem atrair forídeos


Ingredientes


- 500 ml de água
- 400 gr de açúcar
- 1 colher de sobremesa de mel (ASF ou Apis)
- 1 colher de chá de pólen conservados em geladeira (ASF ou Apis)
- 1 pacotinho de gelatina sem sabor (12 gramas)
- 3 folhas de erva cidreira ou capim santo


Modo de Preparo


Ferver o açucar + água + capim por 3 minutos
Deixar esfriar até 40 °C
Retirar as folhas e juntar a gelatina (já dissolvida em 4 colheres de água + pólen + mel)
Misturar bem e por para gelar por 12 horas.


Fornecimento


Abelhas Granddes - Uruçus  100 gr (3x por semana) ou 300 gr (1x na semana)
Abelhas medias- Manduri 2 a 4 tampas de refrigerante (3x na semana)
Abelhas pequenas - 1 a 2 tampas de refrigerante (3x na semana)


Fonte: SEAGRI/ BA



4 de novembro de 2017

Pesquisa revela que abelhas-sem-ferrão amazônicas defendem meliponários contra saques de outras abelhas

Um estudo realizado por pesquisadores formados no curso de Pós-graduação em Botânica (PPG-BOT) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), André Rodrigo Rech e Mayá Schwade e pelo estudante do curso de Sociedade e Cultura na Amazônia (PPGSCA) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Maurico Adu Schwade, revela que abelhas amazônicas sem ferrão são capazes de defender suas colônias contra roubos de outras abelhas.
O objetivo do estudo foi documentar a resposta de abelhas da espécie Duckeola ghilianii quando uma colônia de outra espécie, próxima a esta, é atacada. As observações foram realizadas em outubro de 2010, e os ninhos foram monitorados posteriormente para verificar como as abelhas se comportaram após o ataque.
O local da pesquisa foi o sítio Bom Futuro no ramal do Urubuí localizado no município de Presidente Figueiredo, interior do Amazonas, onde estão os meliponários da família Schwade. A família mantém um criterioso acompanhamento do desenvolvimento de suas colônias de abelhas, registrando os saques por abelhas ladras como um dos principais fatores na perda de colmeias de Apis mellifera (abelha do mel, africanizada) e enfraquecimento das colônias de abelhas nativas, especialmente as do gênero Scaptotrigona.
De acordo com Rech, há algum tempo Mauricio Adu Schwade percebia que as colônias que estavam próximas às abelhas da espécie Duckeola ghilianii pareciam ser menos atacadas por abelhas ladras (chamadas biologicamente de cleptobióticas, pelo hábito especializado de roubar pólen e mel de outras abelhas). Com base nessa percepção os autores desenvolveram a ideia de que Duckeola ghilianii deveria atuar na defesa de territórios livres de roubo e que dessa forma protegiam colônias na vizinhança contra os mesmos ataques.
Desenvolvimento da ideia
Para testar a tese, os pesquisadores localizaram uma colônia de abelha-sem-ferrão (Scaptotrigona sp.) Que estava sendo atacada por abelhas ladras, as Lestrimelitta rufipes – popularmente conhecidas como abelha-limão, por conta de um composto volátil a base de citral que proporciona o odor característico de limão -, e a introduziram em um meliponário onde já existia uma colônia deDuckeola ghilianii. Na sequência, filmaram e observaram todo o comportamento.
Segundo os autores do artigo científico, publicado na revista Acta Amazonica do Inpa, com esse experimento eles perceberam que as operárias de Duckeola ghilianii rapidamente respondem ao odor produzido pelas abelhas ladras e iniciam uma patrulha e ataque, retirando as ladras de dentro da colônia invadida e impedindo que continuem a saquear. “A presença de comportamento defensivo em gêneros não proximamente relacionados sugere que ele tenha evoluído mais de uma vez”, observam.
No mesmo meliponário havia também uma colônia da espécieMelipona fulva – conhecida como jandaíra preguiçosa -, a qual reagiu igualmente ao odor cítrico e atuou na retirada de pedaços das abelhas mortas. De acordo com os autores: “Embora muito maiores que as operárias de Duckeola ghilianii, as meliponas não foram tão eficientes quanto essas”.
Resultados e propostas
Considerando o comportamento descrito, os pesquisadores sugerem então a criação de espécies nativas resistentes em meliponários de regiões onde elas forem nativas, devido ao potencial que elas têm na proteção das colônias.
“O trabalho traz contribuições significativas para o entendimento da evolução do comportamento de defesa ao roubo em abelhas e faz inferências sobre manejo de abelhas-sem-ferrão na Amazônia, onde o ataque por abelhas ladras é um fator importante reduzindo a produção de mel”, frisam.
Rech informa ainda que, mesmo após o fim da pesquisa, o local dos estudos continua sendo monitorado por ser uma área de criação de abelhas e pelo fato dos proprietários da área acreditarem que apenas com conhecimento será possível reduzir o impacto humano sobre a floresta e aumentar o retorno que podemos obter dela.
O estudo foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O trabalho completo pode ser encontrado em:http://www.scielo.br/pdf/aa/v43n3/a16v43n3.pdf
Por Clarissa Bacellar
Fonte: INPA